segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Meu solo

Não me peça boas ações pois não as conheço
Não me peça esperança, pois de mim tiraram,
Não me peça para amar, pois desconheço
Esses sentimentos que está a procurar...

Não me peça comoção , pois não tenho lágrimas
Não me peça um lugar no coração, pois nem tenho mais este orgão
Apenas pulsa um músculo a me regar

Não me peça para ser alegre , pois meu sorriso é sátira
Não me peça sinceridade pois só acredito na mentira
A verdade:vulnerável torna a nossa alma e a nossa ingenuidade

Não me peça para abrir as portas da minha alma: pois me levaram
Não restam espaço para conquistar, pois todos foram devastados
Sou corpo puro e seco sem expressão sensível.

Se quiser acreditar nesta beleza
Que minha flor insiste em provocar
Pode observá-la mas não peça em contrapartida,
Que o interior se compare ao que se pode olhar...

Não se aproxime de mim jamais me pedindo calor pois só conheço o frio...
Não tente me amar pois vai se magoar,
Depois de tantas levas ao lixo do meu jardim florido..
Meu jardim secou sem nunca saber amar,
Brotou de mais à luz de um sol fingido;
Brilhou a juventude da cutis a um falso amigo
e desabrochou as petálas sem se previnir,
E boba até mesmo os caules de espinhos retirou para os que quiseram plantar...
Mas ao fim da devastada do meu íntimo
e de arrancarem minhas sementes, sem pensar...
E de tanto permitir cavar meu solo
E de tanto nutrientes retirar...
sou fruto seco sem nada a ser reproduzido...
não me queira para em seu jardim plantar...
pois mesmo que enfeite seu passeio..
e meu cheiro lhe encante e lhe impressione...
não exitem nutrientes que maculem..
a necessaria alma que a flor precisa para crescer...
e como flores cortadas e vendidas para estantes...
enfeitarei sua vida em um momento
E teu sorriso posso até lhe provocar...
Mas ao fim de cada dia ressurgira minha verdadeira face...
e logo conhecerás meu interior que murchará.

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